Agbê
- batuquesdepernambu

- há 3 dias
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Texto produzido por Alberto Cajueiro.
O agbê (também chamado de xequerê, agê ou xere) é um instrumento de percussão ancestral de origem africana (jejê-nagô).

Composto por uma cabaça seca envolta em uma rede de contas, sementes ou búzios, foi introduzido no Brasil por povos escravizados, é fundamental no Candomblé, Afoxés e Maracatus, simbolizando resistência cultural, ancestralidade e espiritualidade.
Origens e Nomes
Originário da África Ocidental (Mali, Nigéria, Benin, Gana), chegou ao Brasil com os antepassados escravizados. Dependendo da região, pode ser chamado de xequerê, agbê, abê, xere, agê ou aguê, amelê, ou xeque-xeque.
Construção
É um idiofone feito de uma cabaça seca e polida, com uma rede trançada manualmente com contas, sementes ou conchas. A forma da cabaça influencia o som.
Significado Cultural
No Candomblé, está associado a orixás, especialmente Oxum, e é instrumento crucial dos alabês (tocadores-chefes). Nos afoxés e maracatus, traz o som da resistência afro-brasileira.
História no Brasil
Na Bahia está pesente no Candomblé e no Afoxé. Em Pernambuco popularizou-se nos Afoxés no final da década de 80 e, a partir de 1997, passou a ser incorporado em nações de maracatu.
Mitos e Tradição
Reza a lenda que o agbê foi criado por Oxum com cabaça, sementes de ave-maria e palha da costa para encantar Xangô. O agbê é considerado um instrumento mágico, trazendo a energia dos terreiros e a musicalidade para os cortejos.

No Batuques de Pernambuco os Agbês sempre foram destaque desde sua criação não só pela habilidade de seus integrantes, tanto pela quantidade de componentes.
Faço uma referência pessoal e três componentes do grupo, que na minha opinião, foram (e são) os melhores instrumentistas que já tive o prazer de ver tocar: Denis Aragão, Ridrigo Bandeira e Williames (foto acima no canto à direita).
Eles conseguiam não só o som tradicional de chocalhar como também com tapas vigorosas no fundo do instrumento tirar o som das alfaias era incrível ver os seus talentos musicais.
Uma citação especial a nossa artesã Gabryelle Guimarães, que faz não só lindos Agbês, mas de excelente qualidade musical. E as maestrinas do Agbê Claudia Alencar e Andrea Yurttas que além de comandar com maestria dão show no instrumento.
Viva ao Agbê do Batuques.




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